Taxa Selic vai a 9,25% e regra da Poupança muda: tire suas dúvidas  

Na mais recente reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) de 2022, encerrada nesta quarta-feira (8), o Banco Central confirmou o que os analistas do mercado esperavam: mais um aumento na taxa básica de juros, a taxa Selic.

O Copom anunciou um aumento de 150 pontos-base na Selic, que passa a ser de 9,25% ao ano. 

Este é o sétimo aumento consecutivo na taxa de juros brasileira, que agora atinge o mesmo patamar de julho de 2017.

Como efeito colateral, a regra para cálculo da rentabilidade da Poupança também mudou.

Vamos entender melhor? Descomplicamos tudo que você precisa saber sobre a nova Selic a seguir.

Por que o Copom elevou a taxa Selic?

Por que o Copom elevou a taxa Selic a 9,25, ilustração

Você já deve ter notado que os custos de produtos e serviços têm aumentado nos últimos meses. 

Não é por menos: em outubro o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo, famoso IPCA, atingiu a maior variação de 2021 e, também, do mês em específico desde 2002.

Olhando para o acumulado dos últimos 12 meses, a inflação oficial do país acumula alta de 10,67%

IPCA – Variação mensal (%)

ipca, ilustração
Fonte: IBGE.

Após longos meses de política monetária acomodatícia e com o mundo ainda passando por gargalos em sua cadeia logística, a inflação tem contaminado, mês a mês, outros setores. 

Sem dúvidas, o maior vilão do índice ainda são as commodities energéticas, que incluem combustível e gás. 

Observe o comportamento do item “transporte” dentro do IPCA nos últimos dois anos: mês após mês, este grupo tem variado fora de sua faixa histórica. 

O aumento dos preços de petróleo e derivados têm distorcido e pressionado a inflação, com “transportes” respondendo, sozinho, por 0,19 ponto porcentual do IPCA de outubro.

Para controlar os preços da economia e manter uma ancoragem da política monetária para 2022 e 2023, o Banco Central precisou endurecer o tom e aumentar a taxa Selic. 

Separamos o histórico da taxa básica de juros desde o final de 2014.

Quer entender por que a Selic é a principal ferramenta do Banco Central para controlar a inflação? 

Confira nosso artigo completo sobre o tema: A taxa Selic e a inflação: descomplicamos tudo que você precisa saber 

O que disse o Copom?

O que disse o Copom, ilustração

Em seu comunicado à imprensa, o Copom ressaltou que a inflação está superando as expectativas do comitê. 

“A inflação ao consumidor continua elevada. A alta dos preços foi acima da esperada, tanto nos componentes mais voláteis como também nos itens associados à inflação subjacente”, afirma a nota.

O órgão também chamou atenção para o cenário fiscal que o país enfrenta. “Apesar do desempenho mais positivo das contas públicas, o Comitê avalia que questionamentos em relação ao arcabouço fiscal elevam o risco de desancoragem das expectativas de inflação, mantendo a assimetria altista no balanço de riscos. Isso implica maior probabilidade de trajetórias para inflação acima do projetado de acordo com o cenário básico”, escrevem.

A meta do Copom, de acordo com a nota divulgada à imprensa, é buscar um processo de desinflação. “O Copom considera que, diante do aumento de suas projeções e do risco de desancoragem das expectativas para prazos mais longos, é apropriado que o ciclo de aperto monetário avance significativamente em território contracionista. O Comitê irá perseverar em sua estratégia até que se consolide não apenas o processo de desinflação como também a ancoragem das expectativas em torno de suas metas.”

Selic em 10,75% na próxima reunião

O Copom também revelou que prevê outro ajuste de 1,5% na taxa Selic na próxima reunião, o que levaria a taxa básica de juros da economia brasileira a 10,75%.

“Para a próxima reunião, o Comitê antevê outro ajuste da mesma magnitude. O Copom enfatiza que os passos futuros da política monetária poderão ser ajustados para assegurar a convergência da inflação para suas metas, e dependerão da evolução da atividade econômica, do balanço de riscos e das projeções e expectativas de inflação para o horizonte relevante da política monetária”, finaliza o documento.

Entenda como fica a Poupança

Entenda como fica a Poupança, ilustração

Confirmada a elevação da taxa Selic acima de 8,5% ao ano, existe uma mudança estrutural em como é feito o cálculo de rendimento de todas as aplicações na Caderneta de Poupança.

A regra da poupança funciona assim:

  • Selic de até 8,5%: rendimento fixo de 70% da taxa Selic + Taxa Referencial (que hoje é 0%)
  • Selic maior que 8,5%: Poupança rende 0,5% ao mês + Taxa Referencial (que hoje é 0%).

Ou seja: com a Selic em 9,25%, a Caderneta de Poupança passa a ter rendimento fixo de 0,5% ao mês acrescido da taxa de referência (TR), que atualmente é de 0%.

Na prática, a Poupança passará a render 6,17% ao ano. Antes dessa mudança, quando a Selic estava em 7,75%, a rentabilidade da Poupança era de 5,43% ao ano para novas aplicações.

Vale lembrar que a Poupança vem perdendo de longe para a inflação nesses últimos meses. 

Em outubro, a rentabilidade real, quando descontamos a inflação, foi de -7,59% no acumulado de 12 meses. É o pior rendimento real da Poupança desde 1991.

Apesar da ligeira melhora no rendimento na Poupança, a alta da taxa Selic cria ainda mais vantagens para a renda fixa

Na prática, aplicações no Tesouro Selic, CDBs, debêntures e fundos indexados ao DI ficam ainda mais atrativas. 

Esse é um texto feito em conjunto com o time de Análise da Warren.

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