A história por trás do www: conheça Tim Berners-Lee  

Talvez você não saiba, mas por trás desse www que você digita no navegador, existe uma verdadeira revolução. E ela se iniciou com o nome Tim Berners-Lee, o famoso “pai da web”.

Físico e cientista da computação britânico, Berners-Lee é um dos grandes responsáveis pela internet como a conhecemos hoje. 

O protocolo desenvolvido por esse cientista permitiu que o primeiro site fosse criado e que a troca de informações pela web se tornasse mais simples e rápida. 

Esses passos foram fundamentais para a popularização da internet.

Neste artigo, vamos falar um pouco mais sobre a história da web e a importância de Tim Berners-Lee em seus rumos.

Boa leitura!

A internet antes de Tim Berners-Lee

Acessar a internet é algo tão natural que, hoje em dia, é difícil imaginar nossas vidas sem ela.

Já pensou não poder fazer uma pesquisa no Google? Ou só ter o telefone para se comunicar com seus amigos e familiares? 

E se as notícias do mundo todo só pudessem ser conferidas pela televisão e pelos jornais? Nossa realidade seria bem diferente, não é mesmo?

Bom, se não fosse pelo físico Tim Berners-Lee, é bem possível que os rumos da internet estivessem próximos desse cenário.

Foto: Organização Europeia para a Pesquisa Nuclear (CERN)

A história da internet está relacionada com o contexto da Guerra Fria e, inicialmente, sua finalidade era estritamente militar

Nessa época, os Estados Unidos buscavam soluções para proteger suas informações e comunicações no caso de um ataque nuclear por parte da União Soviética, a outra grande potência que disputava a hegemonia mundial com os americanos.

E assim surgiu uma versão primária do que viria a ser a internet: um sistema de compartilhamento de informações para que pessoas distantes geograficamente pudessem se comunicar.

As inovações que surgiram nesse período deram o pontapé inicial para a internet que conhecemos hoje.

Nessa época, os computadores eram grandes máquinas que realizavam cálculos e armazenavam informações. Ou seja, nada intuitivos ou fáceis de usar.

E de forma geral, seu uso tinha fins exclusivamente científicos e governamentais.

Electronic Numerical Integrator and Computer (ENIAC), ou Computador Integrador Numérico Eletrônico, criado em 1946. Foto: University of Pennsylvania Archives

Foi só a partir da década de 90 que pessoas como eu e você começamos a sonhar em usar essa tecnologia.

E o responsável por essa mudança foi Tim Berners-Lee, com a World Wide Web (WWW).

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Tim Berners-Lee e o boom da internet 

Mesmo que a internet já existisse desde a década de 1960, a ideia de “navegar na web”, acessando sites e se comunicando de forma instantânea, só começou a ser traçada a partir dos anos 1990. 

Antes disso, como comentamos anteriormente, o uso da internet era extremamente limitado.

Os próprios cientistas que faziam seu uso tinham dificuldade para se comunicar e trocar informações através do sistema. 

Para que imagens, textos e títulos estivessem organizados em uma página como estamos familiarizados hoje, era preciso que existisse um protocolo que lesse e reunisse essas informações.

Você já deve estar imaginando quem conseguiu fazer isso, certo? Ele mesmo, Tim Berners-Lee: criador do sistema World Wide Web, o primeiro navegador de internet.

World Wide Web: onde tudo começou

Em 1989, Tim Berners-Lee trabalhava na Organização Europeia para a Pesquisa Nuclear (CERN).

Nesse período, ele desevolveu um projeto baseado em hipertextos. Era um protocolo que pegava as informações da internet e as organizava em blocos de textos, imagens e multimídia. 

Seu objetivo era facilitar o compartilhamento e atualização de informações entre os pesquisadores da CERN e de outros laboratórios.

A proposta original de Tim Berners-Lee. Foto: Organização Europeia para a Pesquisa Nuclear (CERN)

Foi esse protocolo criado por Berners-Lee que deu origem ao primeiro navegador, permitindo que as informações que estavam na internet pudessem ser facilmente acessadas e trocadas entre pessoas de diferentes localidades.

A partir disso, também surgiu o primeiro site — inicialmente uma única página de texto. O site foi produzido pelo físico e lançado online em 6 de agosto de 1991. 

Nesse site, era possível conferir uma explicação sobre o que era a World Wide Web, como alguém poderia criar um navegador, como instalar e configurar um servidor web e assim por diante

A partir dali, a internet realmente começou a se popularizar. E é por isso que a década de 1990 ficou conhecida como o “boom da internet”

Novos rumos da web

As inovações de Berners-Lee abriram caminho para diversos novos navegadores — como Internet Explorer, Netscape, Mozilla Firefox, Google Chrome, Opera, Lynx — e também para o aumento do número de usuários da internet.

Diante disso, ocorreu uma grande proliferação de sites, chats e redes sociais. Assim, a internet se tornou a teia global de computadores que conhecemos hoje.

E além de ter criado a WWW, o cientista teve outro grande mérito: ele não patenteou nada disso. 

Se tivesse, dificilmente a rede teria decolado como aconteceu. Já imaginou ter de pagar royalties para publicar um blog, por exemplo?

Além de um grande pesquisador, Berners-Lee sempre trabalhou a favor da ciência e dos avanços da humanidade, adotando tecnologias que poderiam ser facilmente usadas por todos. 

Mesmo três décadas após a criação da WWW, ele segue lutando para que a internet seja livre para todos — um desafio que, infelizmente, ainda está longe de ser alcançado. 

Para isso, ele criou a Fundação Web, organização focada na busca pela igualdade digital.

Os co-fundadores da Fundação Web Tim Berners-Lee e Rosemary Leith com jovens mulheres em um centro de habilidades em tecnologia na Nigéria | Web Foundation CC-BY-4.0

Entre os projetos desenvolvidos pela entidade, os principais são voltados à maior proteção legal na internet, à privacidade online e à transparência de agentes de governo e empresas. 

O projeto também prevê iniciativas voltadas para mulheres e outros grupos que se encontram em desvantagem social, buscando possibilitar que essas pessoas tenham uma vida online sem assédio ou intimidação.

Ou seja: além de ter mudado definitivamente os rumos da internet, Berners-Lee está atento aos caminhos que ela vem tomando.  

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O futuro da web, segundo Tim Berners-Lee

Atualmente, Tim Berners-Lee atua como físico, cientista da computação e professor do MIT (Instituto de Tecnologia de Massachusetts), nos Estados Unidos. 

Além disso, ele ainda dirige a World Wide Web Consortium, comunidade internacional que desenvolve os padrões abertos para a web. 

Em 2019, a WWW completou 30 anos de criação, e Berners-Lee publicou uma carta aberta demonstrando sua preocupação com o futuro da web. 

No documento, estão listadas três questões específicas que prejudicam a web nos dias de hoje. São elas:

  • Atividades maliciosas, como hacking e assédio;
  • Projetos de design duvidoso, como modelos de negócios que recompensam cliques;
  • Consequências não intencionais, como discussões agressivas ou polarizadas.

Segundo o cientista, são problemas que poderiam ser, em parte, combatidos com novas legislações e sistemas que limitem o mau comportamento online

Além desses pontos, o físico também se mostrou preocupado com a perda do controle dos dados pessoais da população na web.  

Ele disse que o escândalo envolvendo a empresa britânica Cambridge Analytica – acusada de usar, para fins políticos, informações privadas de 87 milhões de usuários do Facebook – foi um marco de atenção nesse sentido. 

Mas Berners-Lee ainda se mostra positivo e acredita que o cenário pode melhorar:

“A web é para todos e, coletivamente, temos o poder de mudá-la. Não será fácil. Mas se sonharmos um pouco e trabalharmos muito, podemos conseguir a web que queremos”.

Inspirador, não é mesmo? 

Não sabemos quais serão os próximos rumos da web, mas, se pudermos contar com pessoas tão engajadas e inovadoras quanto Tim Berners-Lee, certamente estaremos em boas mãos.

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