A jornada da Warren | Capítulo 1

Fui entregador de jornal quando era criança. Era divertido. Bem, a verdade é que, em dias frios, não era tão divertido assim. Quem mora no sul do Brasil sabe o quão difícil é sair da cama às 5 da manhã com 0° logo ali fora do seu cobertor.  Mas eu não tinha escolha, então pegava a minha bicicleta e ia até o distribuidor dos jornais, que ficava a algumas casas de distância, na mesma rua. 

O distribuidor era quem recebia, ainda mais cedo, os jornais quentinhos vindos direto das prensas. Lembro até hoje do cheiro do jornal novo. Cheiro bom de papel e de tinta. Forte, mas também agradável. Os entregadores todos chegavam para pegar as suas quantidades de jornais e cada um se preparava da sua forma. 

Eu estacionava a bike e enchia as bolsas laterais que ficavam no bagageiro, em cima da roda traseira. Tinha uma quantidade certa que levava de jornais abertos e outra quantidade prendia com uma borrachinha para deixar em formato de bastão. Esses eram os jornais preparados para serem arremessados a grandes distâncias (os mais legais). Se fosse dia de chuva, aí ferrava tudo: cada jornal tinha que ter um saco plástico e isso dava um puta trabalho.

Bike carregada, lá ia eu pelas ruas ainda escuras. Não lembro ao certo em quantas casas entregava, mas lembro direitinho da sensação de ver a cidade acordando. Era como ver uma engrenagem complexa começando a se movimentar em câmera lenta. Você entende e admira como tudo funciona. 

As pessoas começando a se preparar para um dia de trabalho, algumas delas ansiosas pela chegada do jornal. A padaria, que ainda estava com as portas fechadas, mas cheia de movimentação interna no preparo da primeira fornada. O movimento dos carros começando a surgir nas ruas e logo as crianças se aprontando para a escola. Falando em crianças, eu era uma delas e, por isso, uma hora depois a bike estava vazia e agora era a hora de eu me preparar para a escola.

Por estou contando tudo isso? Pra mostrar que eu tinha uma vida difícil e que tinha que trabalhar pra sustentar minha família? 

Não. Para a minha sorte e pela dedicação dos meus pais, eu tinha uma vida confortável. De fato, o curioso mesmo é que eu era um jornaleiro como qualquer outro, mas um dos sócios do jornal era o meu pai e isso foi uma das duas coisas mais importantes que moldaram meu caráter empreendedor. Por mais que tivesse uma vida confortável, nada era de mão beijada. Meu pai mostrava que, se eu quisesse qualquer coisa, precisaria fazer por merecer.

“Quer dinheiro pra comprar um chocolate? Pede para lavar o carro do vizinho.”

“Mesada? Sem chance, vai entregar jornais que você ganha um salário.”

A segunda coisa mais importante vinha da minha mãe que me incentivava o tempo todo dizendo que tudo era possível.

“Hum… então você quer construir um carro elétrico? Ok, acho que você consegue.”

Os dois exemplos são reais. Sempre fui viciado em chocolate e, mesmo longe de ser um Elon Musk, lá pelos meus 12 anos eu queria mesmo construir um carro elétrico. Com esses dois ensinamentos em mente – que nada vem de graça e que tudo é possível – entrei em algumas aventuras.

De vender coisas na escola a ter empresas. Por exemplo, aos 14 anos, montei uma grande empresa de importação e exportação. Mentira. Falo isso só pra soar mais chique. A verdade é que eu comprava produtos no Paraguai e entregava de porta em porta. Sempre gostei de tecnologia e então minha estratégia foi construir um portal que tinha uma oferta gigante de produtos. O cliente selecionava o produto e comprava e eu então pegava o ônibus para o Paraguai na sexta a noite, chegava lá no sábado, comprava os pedidos, voltava no domingo e entregava de porta em porta durante a semana. 

Mas na prática a versão tecnológica não funcionou tão bem. Era época da conexão discada e as pessoas simplesmente não confiavam em comprar coisas pela internet. Então tive que pivotar (palavra moderna do mundo de startups) e mudar para o bom e velho panfleto distribuído nas caixas de correio. Porém, se você fizer uma análise fria do que eu tinha construído: um portal de internet, onde você encontra tudo que quer, faz o pedido e depois recebe em casa! Eu tinha inventado a Amazon. Só não executei tão bem quanto o Jeff Bezos. 

Eu quero falar mais dessas e outras tantas aventuras que tive empreendendo, pois aprendi muito com elas. Por saber que nada é de graça e tudo é possível, tive “sorte” em todas, até que, um dia, a paixão pelo mundo do mercado financeiro foi mais forte. Aliás, cheguei a entrar na faculdade de Economia por causa dessa paixão (justo eu, rebelde, que sempre jurou nunca fazer faculdade). Gostava tanto e só falava disso que virei o “conselheiro” de investimentos dos meus amigos e mantinha um clube de investimentos com a turma. Até que um dia fui convidado pra entrar em uma empresa de investimentos ainda pequena, que tive o prazer de ajudar a se tornar a primeira grande corretora do Brasil.

Essa guinada de empreendedor para intraempreendedor foi a melhor experiência que pude ter. Principalmente porque me vi cercado de gente muito foda. Quando isso acontece, você saca melhor, corre mais e pula mais alto. Claro que, como contraponto, você não está 100% livre para tomar as decisões como quiser e também precisa aprender a lidar com a parcela dos babacas que estão sempre por aí. Mas, faz parte.

O mais importante é que empreender dentro de uma empresa que dê espaço é fantástico. Se um dia você tiver essa oportunidade, agarre, vai aprender muito para quando, inclusive, quiser alçar voo sozinho.

Mas, por que estou escrevendo este texto?

Tive a oportunidade de criar diversos negócios e participar da construção de uma empresa bilionária. Montar times, planejar ações, desenvolver produtos, cuidar o fluxo de caixa, cuidar do marketing, vencer a concorrência, lidar com fornecedores, fechar parcerias, vender, atender, pintar, lavar, bordar, sambar, cozinhar. Foi tudo muito bacana e me levou ao momento em que decidi criar uma empresa de investimentos com a minha cara. Com as minhas crenças e com a missão de ser 100 vezes melhor do que qualquer outra.

Essa empresa se chama Warren. Nós completamos 3 anos em 2020 e sei que nossa história está apenas começando, mas já temos uma longa trajetória. Por isso, vou compartilhar aqui neste espaço alguns capítulos contando para vocês como chegamos até aqui.

Um abraço e até o próximo capítulo!

Quer conhecer a Warren? Faça o teste de suitability e dê os primeiros passos.

Talvez você também se interesse: