Bear market: como se preparar para os períodos de queda na Bolsa

Bear market é o nome dado para períodos de queda na Bolsa de Valores, marcados pelo pessimismo dos agentes financeiros. O nome é uma referência ao movimento de ataque dos ursos — de cima para baixo, exatamente a mesma direção das ações nesses momentos.

Em tradução livre, bear market significa “mercado do urso”, que se opõe ao bull market, “mercado do touro”, nome dado para a Bolsa de Valores quando há otimismo entre os agentes e as ações se comportam em tendência de alta, de cima para baixo, como um touro atacando uma presa.

Mas como identificar esses momentos de bear market na Bolsa de Valores e, mais do que isso: como agir nessas circunstâncias para proteger o patrimônio?

Neste artigo, passaremos pelos seguintes tópicos:

  • O que é bear market
  • Origem do nome bear market
  • Diferença entre bear market e bull market
  • Bear market no Brasil: relembre os mais recentes
  • Como se preparar para o próximo bear market

Vamos lá?

O que é bear market

Entenda o que é bear market, ilustração

Bear market é a definição para os momentos de desvalorização na Bolsa de Valores, medidos pelos principais indicadores do mercado. Caracterizado pelo pessimismo dos investidores e todos agentes financeiros quanto aos rumos da economia e, consequentemente, sobre o desempenho das empresas listadas, o bear market é um período no qual os ativos se desvalorizam de forma generalizada. 

Como sabemos, as bolsas de valores têm altas e baixas no preço dos ativos, já que estamos falando de um investimento de renda variável. O interesse dos agentes financeiros em comprar ou vender esses ativos é afetado pelas mais diversas situações econômicas e políticas.

Quando ocorre um declínio generalizado superior a 20%, tomando como base a alta anterior, é possível sinalizar que foi instalado um momento de bear market, que é acompanhado por um grande pessimismo dos investidores quanto ao futuro da economia e o desempenho das empresas.

Essa análise é feita utilizando os principais indicadores, como o Índice ibovespa no mercado brasileiro ou o S&P 500, no mercado acionário norte americano. 

A expressão bear market, traduzida literalmente, significa mercado do urso. Essa é a situação inversa do bull market, ou mercado do touro. 

Ficou confuso? Por que são utilizados animais para definir os momentos do mercado de ações? Vamos entender melhor. 

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Origem do nome bear market

Saiba a origem do termo Bear market, ilustração

A origem dos nomes mais conhecida dos mercados bear e bull está relacionada à forma com que esses animais atacam suas presas.

O urso, com seu peso, altura e garras, lança um ataque poderoso de cima para baixo, abafando e dominando sua presa.

O movimento do touro é o inverso, ou seja, com seus chifres, ele faz uma alavanca tirando o apoio dos pés de seu oponente, concluíndo um golpe rápido e doloroso.

Especulação do valor da pele do urso

Mas outra história curiosa também chama a atenção: a dos vendedores de peles de urso, que vendiam os produtos antes mesmo dos caçadores terem capturado o animal.

Assim, os vendedores especulavam o valor que as peles iriam custar, usavam uma margem para cima e, quando ela efetivamente era comprada, lucravam com a diferença entre o preço que os caçadores pediam e o quanto haviam recebido dos compradores.

Além da origem do nome mercado do urso, essa história também seria a raiz do spread, que nada mais é do que a diferença entre preço de compra e venda de qualquer item ou serviço.

Quais as derivações dos termos?

Bear market e bull market deram origem a outros termos, como:

  • Investidores bear e bull, usados para indicar o personalidade dos participantes da Bolsa de Valores;
  • Bearish ou bullish, usados para dizer se a situação é pessimista ou otimista.

Eles podem ser aplicados em diversas situações. Por exemplo: um investidor pode ser pessimista apenas com um ativo ou período.

Não importa a origem do termo e o motivo para escolha desses animais para dar nome a essas situações do mercado, mas é fato que elas deixam esses momentos mais palatáveis, concorda?

Diferença entre bear market e bull market

A principal diferença entre bear market e bull market está relacionada ao comportamento dos ativos nesses períodos. No bull market, a tendência é de alta. No bear market, a tendência é de baixa.

Mas há diversas outras características que você precisa levar em consideração ao comparar esses períodos.

Abaixo, listamos as principais para você comparar.

Bear MarketBull Market
O mercado está em baixa, com ativos desvalorizadosO mercado está em alta, com o aumento do valor das ações
Sentimento bearish de pessimismoSentimento bullish de otimismo
Muitas vendas de ativos sendo realizadas, o que agrava a desvalorização do papelMuitas compras de ações no mesmo período, o que faz uma escalada de preço
Desemprego em tendência de altaDesemprego em tendência de queda
Acontece depois de um abalo econômico ou quando ela já está ruimAcontece depois de mudanças positivas na economia ou quando ela se mantém forte
A demanda por ações será baixaA demanda por ações será alta
Número de IPOs diminui ou zeraNúmero de IPOs tende a aumentar


Você deve ter notado que, apesar de suas diferenças, bear market e bull market dependem um do outro para acontecerem. 

Afinal de contas, o parâmetro para identificar é, justamente, o ponto mais alto ou mais baixo do período anterior.

Padrões harmônicos e tendências de mudanças

Também existem aqueles momentos em que o mercado “anda de lado”, como um caranguejo, sem grandes variações na valorização dos ativos. Para esses períodos, as análises de padrões harmônicos é muito utilizada por analistas gráficos, que tentam prever o futuro com base no comportamento dos preços.

Scott Carney, um consultor de investimentos que mais tarde desenvolveu uma plataforma de análise, é um dos grandes nomes na atualidade e já publicou três livros dedicados ao reconhecimento de padrões que podem indicar uma tendência de mudança no mercado.

Usando análises complexas e a sequência Fibonacci, ele mostra que é possível identificar outros movimentos do mercado, principalmente aqueles que podem representar mudanças no bull market e bear market

Alguns desses padrões, é claro, também ganharam nomes de bichos.

Entre eles, está o mercado caranguejo que já citamos, e também, o morcego, tubarão e borboleta. Além dos cálculos, as análises do formato gráfico mostram formações similares a silhueta dos bichos.

Fonte: The Bat and the Crab Harmonic Patterns

Esses padrões são analisados para buscar possíveis tendências de reversão, por isso, temos padrões como os Bearish crab pattern, que indicaria uma mudança pessimista nos preços dos ativos.

Novos animais candidatos a fazerem história no mercado financeiro

Os animais dos padrões harmônicos são usados para a análise técnica do mercado financeiro, que é diferente da análise fundamentalista, que se baseia no estudo do desempenho das empresas em análises macroeconômicas.

Porém, outros animais começam a ser utilizados para explicar novos momentos vividos nas bolsas de valores de todo o mundo.

Apesar de 2020 ser um ano completamente atípico por causa da pandemia do coronavírus, por exemplo, a maioria dos investidores e economistas concordam que ele é o retratado de um bull market, ou seja, cenário otimista e de subida dos preços dos ativos.

Mas outros analistas também atribuem o comportamento desse mercado a outro animal, o canguru, que se locomove por saltos.

Neste caso, a volatilidade do mercado é ilustrada pelos saltos do animal australiano. Seja qual for a conclusão dessas representações, a lição que fica é que estudar o mercado e seu comportamento, investigando tendências e oportunidades, é essencial para criar estratégias de investimentos.

Se considerarmos a gestão ativa da Warren para acompanhar esses movimentos e fazer ajustes nas carteiras dos seus investidores, a renda variável é um dos caminhos mais certos para quem quer viver de renda com foco no longo prazo.

LEIA MAIS | Como investir na Warren 

Bear market no Brasil: relembre os mais recentes

O momentos do bear market no mercado brasileiro, ilustração

Como explicamos, o comportamento do mercado acionário pode ser dividido em três momentos: bull market, bear market ou sem tendência, com o mercado andando de lado.

A seguir, vamos lembrar alguns dos bear markets recentes na Bolsa de Valores brasileira, pontuando os motivos para o cenário pessimista. 

Vamos juntos?

Bear market de 1971 a 1983

Em 1971, o mercado financeiro brasileiro alcançou uma de suas altas mais marcantes com 1.334 pontos no topo. Porém, logo em seguida, iniciou uma queda de 81,32% no índice Ibovespa.

Era o fim do milagre brasileiro. Nos anos anteriores, também marcados pelo regime militar, o Produto Interno Bruto (PIB), dentre outros indicadores econômicos, tiveram saltos que embalaram o otimismo dos investidores bulls.

Porém, esse período teve fim em 1973 e uma série de tropeços e desentendimentos no governo, como questões relacionadas a privatização da Petrobras, desestabilizaram o mercado.

Bear market de 1986 a 1991

Outro bear market foi iniciado em 1986, quando a pontuação do principal índice da BM&F Bovespa, à época, alcançou 4.050 e, então, chegou a 387 em 1991.

Essa queda significou um total assustador de 90,43% na desvalorização das ações.

Entre as diversas causas desse bear market, estão o colapso do plano Cruzado, o crash da Bolsa de Valores de Nova York por causa da Black Monday e o encurtamento da liquidez proposta pelo Governo Collor.

Ser otimista deve ter sido um exercício de resistência, não é mesmo?

1997 a 2003

O ano de 1997 marcou a última alta do período bull market em 12.620 pontos. Depois, a Bolsa viveu um período de pessimismo e desvalorização das ações até 2003, quando marcou sua última baixa em 2.160.

O Ibovespa teve uma queda de 82,88% nesse período, até que um novo ciclo de bull market foi iniciado.

Nesse período bearish do mercado financeiro, tivemos de tudo. Tensões de relações internacionais com a crise dos tigres asiáticos, influências das empresas de capital aberto, como foi o caso do estouro da bolha da internet e cenário de incertezas nacionais, já que significou a eleição de Luiz Inácio Lula da Silva, o que provocou temor entre os investidores.

2008 a 2016

Em um período mais recente, o índice Ibovespa chegou a 72 mil pontos em 2008, mas caiu até bater 38 mil pontos em 2016. 

Esse cenário de bear market foi provocado pela crise do subprime, nos Estados Unidos, e pela degradação da situação fiscal brasileira, com as despesas públicas superando a arrecadação, a alta da inflação e do desemprego, além da maior recessão da história recente.

Desde 2016, o comportamento se alterou e os investidores estão mostrando otimismo com o cenário brasileiro, motivo pelo qual a Bolsa chegou ao topo histórico em 2020, próximo aos 120 mil pontos, antes da crise provocada pelo Coronavírus.

Como se preparar para o próximo bear market mundial?

Em cenários tão distintos como o bull e o bear market, é preciso saber como investir na Bolsa para identificar as oportunidades e melhores estratégias para proteger posições em diferentes cenários, com foco no longo prazo. 

Reunimos algumas estratégias a seguir:

Conheça as fases do bear market

O bear market tem quatro fases essenciais, a de reconhecimento, pânico, estabilização e antecipação. Vejamos cada uma delas funciona.

Reconhecimento

Investidores com o perfil mais arrojado sabem que o mercado de ações é cheio de altas e baixas. Se eles acreditassem que cada baixa é o início de um bear market, iriam viver em constante tensão.

Por isso, o reconhecimento de um início de bear market é o momento mais complexo do ciclo, e difícil de ser identificado.

Ele ocorre, geralmente, devido à estagnação econômica, redução de estímulos, atividade econômica dando sinais de exaustão, aumento do desemprego e da capacidade ociosa da indústria, entre centenas de outros fatores que podem levar ao pessimismo dos investidores com o desempenho das empresas.

Como o mercado sempre antecipa o futuro, no entanto, pequenas mudanças nos indicadores podem ser suficientes para mostrar que os rumos da economia se alteraram.

Pânico

Mesmo que as instituições financeiras e os grandes players do mercado tenham unido forças para frear o pessimismo, agora que ele está estabelecido, o pânico pode se estabelecer no estágio dois do bear market.

Ele é agravado por mudanças mais significativas nos preços dos ativos, afinal de contas, são as grandes instituições que agora estão redefinindo suas estratégias rapidamente para protegerem seu patrimônio.

Estabilização

O estágio três do bear market é o mais longo de todos. Nele, os investidores continuam temerosos sobre as cenas dos próximos capítulos e, acompanhando as notícias geradoras do risco, continuam satisfeitos com sua estratégia de recuo.

E assim muitos ficam confortáveis em seu pessimismo, e outros mais bullish tentam se convencer que o fim daquele momento está próximo.

Antecipação

Vale lembrar, porém, que muitos investidores como Warren Buffett dizem que é preciso ser otimista quando todos estão pessimistas, e, vice-versa.

Nessa fase, portanto, alguns movimentos começam a aquecer o mercado, afinal de contas, os investidores já sabem o que foi o grande motivador da queda dos ativos e, até mesmo, conseguem vislumbrar a dimensão do dano.

Assim, voltam a comprar ações aproveitando que elas estão com preços de oportunidade, com a expectativa de que o cenário se altere no curto e médio prazo.

Entender essas etapas é importante, mas, assim como não se sabe quando vai começar um bull market, também é impossível cravar quando será o fim de um bear market.

Diversifique seus investimentos

Considerando que é impossível prever o que vai acontecer a seguir, a melhor forma de proteger o patrimônio é ter uma carteira de investimentos diversificada.

Ter fundos de renda fixa, títulos do governo como o Tesouro Selic, dentre outras modalidades de investimentos, garante que as variações dos mercados e seus indicadores não vão trazer grandes impactos no patrimônio do investidor.

Além disso, a estratégia de diversificação também prevê diferentes necessidades dos investidores, como ter uma reserva de emergência e outros recursos com maior liquidez.

Investidores que adotam uma posição concentrada na renda variável, por exemplo, podem se ver em meio a um bear market precisando vender suas ações por um preço muito mais baixo do que pagaram, pois precisam de liquidez para urgências.

Invista em classes de ativos descorrelacionados

Na definição que apresentamos, colocamos que o bear market precisa atingir pelo menos 80% das ações negociadas no mercado para ser considerado um cenário de pessimismo e de desvalorização dos ativos, certo?

Isso significa que existem outros 20% das ações que não estão sofrendo com esse movimento, ou estejam indo na direção contrária. Vale a pena estudar para identificar essas oportunidades e investir nelas.

Também é possível criar uma diversificação dentro das ações ao escolher aquelas que não são correlacionadas, ou seja, afetadas pelos mesmos setores, riscos ou notícias.

Tenha uma reserva de oportunidade ou liquidez

Se o investidor tem o estilo “buy and hold”, precisa tanto de uma reserva financeira para investir nas oportunidades de compra, como uma liquidez que o garanta mais tempo na posição comprada.

Essa dupla reserva é mais do que estratégica e faz com que o investidor não tema o mercado do urso ou o touro, e sim, faça com que eles trabalhem por ele.

Foque no longo prazo e seja consistente na sua estratégia

No mercado financeiro, não existem certezas, mas sabemos que não existiria um bull market sem um bear market para servir de pontapé inicial da sua jornada de crescimento, certo?

Portanto, foque no longo prazo considerando que o bear market vai passar e as oportunidades de venda de ativos com preços mais vantajosos vão chegar.

No longo prazo, as maiores oportunidades estão no mercado de ações, como dezenas de estudos já comprovaram. Cabe ao investidor entender esse cenário, aceitar o risco e ter paciência para que as empresas deem resultados.

Deixe que a Warren faça a gestão ativa para você

Não se sente preparado para estudar e dedicar seu tempo para conhecer o mercado de ações e tomar as próprias decisões de investimento?

Uma alternativa é investir em fundos de investimentos, que farão a escolha e a gestão do portfólio por você. 

Aqui na Warren, trabalhamos com quatro fundos de ações sem taxa de administração ou taxa de performance:

Todos eles possuem composições personalizadas, com a maior parte do portfólio em ativos de renda variável, como as ações. 

Investindo em um desses fundos, o investidor tem parte de seu patrimônio aplicado em ações negociadas na Bolsa de Valores, que vive os dias intensos de bull e bear market.

Uma das principais vantagens é que a escolha dos ativos e a gestão do portfólio fica por conta dos nossos gestores especialistas. Assim, você pode aprender mais sobre o mercado financeiro e sobre as ações enquanto seu dinheiro está rendendo.

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