Como calcular inflação acumulada: passo a passo

Entender como calcular a inflação acumulada é essencial para quem deseja encontrar boas opções de investimento, que façam o dinheiro render acima da inflação.

A inflação acumulada é o retrato percentual da soma da inflação em determinado período. Considerando que o Banco Central usa esse indicador para suas políticas monetárias, faz muito bem para os seus investimentos entender como ela é calculada e como funciona na prática.

Afinal, quando seus investimentos perdem para a inflação, você vira vítima do juro real negativo, que já é uma realidade no Brasil de 2020 para quem investe apenas na Poupança, por exemplo. 

Mas existe uma maneira fácil de fazer esse cálculo? 

É isso que você vai entender hoje. Organizamos esse conteúdo para dar todas as respostas e ferramentas necessárias para calcular a inflação acumulada. 

Vamos passar pelos seguintes tópicos:

  • O que é inflação acumulada
  • Por que calcular a inflação acumulada nos investimentos?
  • Qual a inflação acumulada dos últimos anos?
  • Como calcular a inflação acumulada?

Boa leitura!

O que é inflação acumulada

Entenda o que significa inflação acumulada, ilustração

A inflação acumulada é a somatória do percentual de inflação em um determinado período tempo. Trata-se de um indicador de preços usado para políticas econômicas e monetárias, mas, também, para remuneração de aplicações financeiras e reajustes de contratos. 

Mas, voltando um pouco mais no conceito, o que é inflação?

Inflação é o nome dado ao aumento dos preços dos produtos e/ou serviços, que, por consequência, diminui o poder de compra dos consumidores.

Se um saco de laranjas custava R$ 30,00 há um ano e passou a custar R$ 33,00 hoje, temos um aumento de preço do estabelecimento ou do produtor, certo?

Porém, se o fenômeno for generalizado, com aumento de preços de maçãs, batatas, grãos, meios de transporte e insumos, entre outros produtos e serviços, teremos uma inflação.

Mas a inflação ela não é medida apenas pelo número de produtos que impacta e, sim, pelo percentual médio de aumento de todos esses itens. 

E é aí que entra o IPCA, ou, Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo, indicador oficial do IBGE para acompanhar a inflação.

Entre as principais causas da inflação, podemos mencionar o crescimento da oferta de dinheiro no mercado. Quando o governo emite mais dinheiro, ele acaba diminuindo o valor do dinheiro que está em circulação, porque a oferta de produtos e serviços não acompanha essa emissão.

Como resultado, o seu dinheiro vale menos e é necessário pagar mais para acessar os mesmos bens. 

É por esse motivo que o mercado financeiro fica atento aos gastos públicos e cobra dos governantes uma agenda de responsabilidade fiscal, para que os governos não se endividem a ponto de precisar emitir mais moeda para se financiar, pressionando a inflação. 

SAIBA MAIS | O preço do arroz, a inflação dos alimentos e os seus investimentos

IPCA

O cálculo do IPCA leva em consideração uma cesta de produtos e serviços utilizados por, pelo menos, 90% das famílias brasileiras habitantes das áreas urbanas com orçamento familiar e renda mensal de 1 a 40 salários mínimos.

Segundo o IBGE, a proporção desses produtos e serviços na cesta de referência é composta de:

  • 24,77% para alimentos e bebidas;
  • 18,29% para transporte;
  • 15,82% para habilitação;
  • 12,27% para saúde;
  • 10,81% para despesas pessoais;
  • 5,65% para vestuário;
  • 5,01% para educação;
  • 3,91% para produtos residenciais;
  • 3,42% para serviços de comunicação.

Os valores dos produtos e serviços da cesta são pesquisados nas principais capitais brasileiras e suas regiões metropolitanas todos os dias e meses do ano.

Assim, é possível avaliar a variação dos preços da cesta e, de acordo com a proporcionalidade dos itens, acompanhar o IPCA.

IPCA acumulado

Avaliar o IPCA mês a mês permite identificar se o poder de compra dos consumidores está aumentando ou diminuindo, ou seja, o movimento da inflação.

Mas, considerando que o governo estipula uma meta atual para a inflação, precisamos do IPCA acumulado em 12 meses para avaliar o desempenho das medidas adotadas pelo Banco Central em sua política monetária, certo?

É bom lembrar que a cesta tem referências variadas e, quando o preço de um item sobe, o de outro pode descer. Mas, se o IPCA sobe de um mês para outro, podemos dizer que o custo de vida dos brasileiros aumentou de forma geral.

Como a inflação acumulada impacta as políticas econômicas?

Você lembra que nós comentamos no início do post que o governo usa a inflação para suas políticas econômicas?

Anualmente o governo divulga a meta da inflação com um intervalo de erro, com o objetivo de controlar a volatilidade dos preços, estimular o consumo e garantir que a economia cresça.

Em 2020, o Conselho Monetário Nacional decidiu estipular e divulgar as metas para o atual e os próximos dois anos consecutivos, respectivamente, em 4,00%, 3,75% e 3,50% anual, com 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo.

Com o IPCA, portanto, o governo pode acompanhar a eficiência das suas políticas econômicas e monetárias para conquistar tais metas. Se o IPCA sobe, a inflação está indo junto, assim como o inverso é verdadeiro.

Entre as políticas econômicas, está a definição da taxa básica de juros, a Selic. Essa taxa é utilizada como principal referência em financiamentos e investimentos. A lógica para definir o valor da Selic é complexa, mas podemos explicar de uma maneira simples. 

O Banco Central fica atento à inflação. Se ela está abaixo da meta, ele vê a possibilidade de reduzir a taxa básica de juros, o que estimula empréstimos e o consumo em geral, seja das famílias ou das empresas. Se a inflação pressiona, ele eleva a taxa, o que diminui a oferta de dinheiro no mercado e reduz o consumo, freando a inflação. 

Regularidade do cálculo do IBGE

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) realiza a coleta de dados mensalmente e a divulgação trimestralmente do IPCA desde 1979, mas somente em 1985 o IPCA foi definido como indexador oficial do país.

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Por que calcular inflação acumulada nos investimentos?

A inflação afeta a vida dos consumidores, empresários e investidores, porque altera o poder de compra do seu dinheiro.

Isso já seria motivo de sobra para saber como calcular inflação acumulada por meio do IPCA que é o indexador oficial do governo. Mas vamos desmembrar os fatos para ficar anda mais claro.

IPCA é indicador de reajuste

Esse não é um motivo diretamente ligado aos investimentos, mas pode vir a ser, já que ele é utilizado como um fator de reajuste de contratos privados e públicos.

Ou seja: em uma eventual decisão entre resgatar um investimento para quitar um contrato ou não, é fundamental analisar a inflação acumulada e sua evolução.

IPCA é indexador de investimentos

Aqui, sim, entender a inflação acumulada tem influência direta nas suas estratégias de investimentos e diversificação.

O IPCA e a inflação são utilizados como indexadores de investimentos, como:

  • Letra de Crédito Imobiliário (LCI) vinculada ao IPCA;
  • Letra de Crédito do Agronegócio (LCA) vinculada ao IPCA;
  • Certificado de Depósito Bancário (CDB) vinculado ao IPCA;
  • Tesouro IPCA;
  • Benchmark para fundos de investimento;
  • Debêntures vinculadas ao IPCA.

O rendimento da poupança é o melhor exemplo para perceber como a inflação acumulada corrói o poder de compra do seu dinheiro. 

Isso porque o rendimento da poupança muitas vezes fica abaixo da inflação, ou seja: você perde poder de compra.

A meta da inflação para 2020 é de 4,00% no ano, certo? E a rentabilidade da poupança com a taxa Selic a 2% ao ano é de 70% dessa referência, acrescida de Taxa Referencial (TR). 

Faça os cálculos:

  • Investimento na poupança: R$ 50.000,00
  • Período: 12 meses
  • rendimento 70% da taxa Selic + TR = 1,40% a.a. + TR (0,00%) = 1,40% a.a.

Ao final de 12 meses, o valor acumulado na poupança será de R$ 50.700, um rendimento de R$ 700,00.

Porém, a grosso modo, a inflação que o valor de R$ 5.000,00 sofrerá no mesmo período poderá ser de R$ 2.000,00 (4% anual), ou seja, seu desempenho será R$ 1.300 abaixo da inflação do período.

Agora imagine esses valores multiplicados? E, ainda, considere os outros tipos de investimento nesse mesmo perfil sem uma meta de entrega mais satisfatória?

É por esse motivo que os investidores precisam buscar, mesmo entre as opções de investimento de renda fixa, aplicações que ofereçam uma rentabilidade superior à Poupança e permitam que, dentro de uma estratégia de diversificação do seu portfóli, seu patrimônio tenha um ganho real.

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Qual a inflação acumulada dos últimos anos?

Como já foi informado, a inflação é um indicador acompanhado pelo governo para que ele realize ajustes em suas políticas econômicas e monetárias, mas o IPCA só foi adotado como referência em 1985.

Acompanhar sua evolução anual a partir desse ano não é tão relevante para as decisões de investimentos, já que muitas alterações estruturais aconteceram no país desde então.

Porém, analisar os últimos 10 anos da evolução do IPCA acumulado pode ajudar bastante.

Ano de referênciaInflação Acumulada anualmente (IPCA)
20105,91%
20116.50%
20125,84%
20135.91%
20146.41%
201510,67%
20166,29%
20172,95%
20183,75%
20194,31%

Percebe como a inflação acumulada em 2014, 2015 e 2016 foi alta?

Em 2015, particularmente, houve um reajuste de preços administrativos na energia elétrica e combustível, elementos que somam 22,20% da cesta de produtos e serviços que o IPCA acompanha.

A inflação já estava alta, mas, com os reajustes de preços, cresceu ainda mais e alcançou a casa dos dois dígitos, que deixou muitos brasileiros, empresas e o próprio governo preocupados.

Em 2017, porém, o IPCA foi a 2,95%, abaixo da meta do governo para o ano, de 3%. Dessa vez, apesar da alta dos preços do botijão de gás e planos de saúde, a inflação acumulada caiu pela alta das safras dos alimentos e a consequente redução dos seus preços em 1,87%.

Vale lembrar que os alimentos têm um peso de 24,77% da cesta de produtos e serviços de referência do IPCA.

Percebe como vale a pena entender como calcular inflação acumulada? Você descobre como os altos e baixos afetam seu padrão de consumo e, claro, seus investimentos.

Como calcular inflação acumulada?

Aprenda a calcular a inflação acumulada, ilustração

Então, agora que já entendemos sua aplicação e variáveis, é hora de usar a calculadora, mas nesse caso, a do cidadão, desenvolvida pelo Banco Central.

Acesse a calculadora do cidadão no site do Banco Central do Brasil

O site do Banco Central do Brasil tem uma série de ferramentas disponíveis para os brasileiros logo em sua página inicial, como conversões de moedas, panorama econômico da inflação e taxa Selic.

Mas, para usar a calculadora do cidadão, é preciso acessar na parte central da página, o bloco de serviços. Depois de selecionar a opção, basta optar pela modalidade “Correção de valores”.

Insira os dados de interesse

Na calculadora é possível escolher a referência do cálculo, como o índice de preços, poupança, TR, Selic e CDI.

Nosso objetivo, no entanto, é saber como calcular inflação acumulada. Por isso, a escolha deve ser pelo índice de preços. Na sequência, basta selecionar IPCA (IBGE) para utilizar o indexador oficial do Governo.

Calculadora de correção de valores, foto

Depois, basta indicar o período que deseja avaliar a inflação acumulada. 

Usando o intervalo entre o primeiro mês o mês mais recente, por exemplo, você consegue descobrir a inflação acumulada para o ano em questão. Veja o exemplo com um cálculo simulando R$ 1 mil.

Resultado da correção pelo IPCA (IBGE), foto

Se a meta da inflação do governo para 2020 é de 4% ao ano, chegar a menos de R$ 1.040,00 é considerado um acerto das estratégias econômicas e monetárias do governo.

Você também pode utilizar a calculadora para entender se a rentabilidade de uma aplicação financeira superou a inflação em um determinado período. 

Aqui vai uma dica de uso da calculadora do cidadão: sempre que consultar um intervalo e informar que deseja realizar uma nova pesquisa, é preciso configurar todos as referências, inclusive que a consulta refere-se ao IPCA, e não a qualquer outro índice de preço.

Antes de terminar, vamos simular o reajuste necessário no IPCA para o valor de R$ 100,00 nos últimos anos.

Ano de referênciaValor de R$ 100,00 corrigidos pelo IPCA
2019104,31
2018103,75
2017102,95
2016106,29
2015110,67
2014106,41

É bom lembrar que a cesta de produtos do IPCA é afetada por uma série de fatores, inclusive a cotação de moedas estrangeiras que afetam a compra de insumos, safras bem sucedidas, políticas de redução de impostos, investimentos na malha rodoviária e até mesmo, o aquecimento da economia e o volume de dinheiro em circulação.

Um indexador que tenha referências de preço tão distintas ajuda o governo a acompanhar os resultados de suas ações e, se necessário, promover novas intervenções para direcionar a inflação para a meta estipulada.

E, o que percebemos com tudo isso? 

Que é essencial buscar soluções de investimentos que protejam seus recursos contra a corrosão da inflação. 

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Para proteger seus investimentos contra a inflação, é essencial diversificar as suas aplicações de acordo com seu perfil de investidor.

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