Inflação: o que é e como ela impacta os investimentos

Certamente você já ouviu falar sobre a inflação, principalmente quando os jornais estão falando sobre a economia do Brasil. Porém, sabia que ela afeta os seus investimentos e a rentabilidade que pode ser alcançada por eles ao longo do tempo?

Entender índices econômicos é essencial para tomar decisões mais acertadas e compor uma carteira mais satisfatória, com resultados dentro daquilo que você espera na hora de investir o seu dinheiro. 

A inflação é um deles, já que influencia tanto os ativos na renda fixa quanto os da renda variável. Neste artigo, você vai aprender um pouco mais sobre:

  • O que é a inflação?
  • Por que ela é tão importante para a economia?
  • Quais índices são usados para medir a inflação?
  • O que afeta o índice da inflação?
  • Quais são os impactos da inflação nos investimentos?
  • Quais são os investimentos atrelados à inflação?

O que é a inflação?

Entenda o que significa inflação no mercado, ilustração

A inflação consiste no aumento dos preços praticados no mercado e influenciam o valor dos produtos e serviços ao longo do tempo. Basicamente, ela está ligada à perda do poder de compra à medida que o tempo passa.

Para isso, basta pensar: você consegue, com R$1.000, comprar as mesmas coisas que adquiria há 5 anos? Possivelmente, você consegue perceber que hoje o dinheiro “vale menos” e, por isso, volta do supermercado com menos itens na sacola, por exemplo.

Então, resumidamente, podemos dizer que a inflação representa uma perda do valor do dinheiro ao longo do tempo — e isso vale tanto para o seu salário (e outros ganhos) quanto para os investimentos financeiros.

Entretanto, é importante reforçar que o aumento dos preços de serviços ou produtos isoladamente não pode ser considerado inflação. Ela só acontece quando as coisas ficam mais caras de modo geral e continuam aumentando com o passar do tempo.

Por que ela é tão importante para a economia?

A inflação afeta a economia diretamente, principalmente quando falamos do poder de compra da população. Porém, ela não para por aí. Ao longo do tempo, isso gera uma reação em cadeia e chega a um ponto que influencia até no PIB e na dívida pública do governo.

A princípio, podemos perceber como a população sofre os impactos da inflação, já com o aumento dos preços. Isso significa que o salário passa a ser suficiente para adquirir menos produtos e serviços do que antes.

Ao longo do tempo, isso se traduz em uma diminuição do consumo no mercado, o que, consequentemente, também impacta a previsão de vendas das empresas, com uma tendência de baixa no faturamento.

Com isso, os investimentos também diminuem. Associado à diminuição do consumo da população, os efeitos da inflação chegam até o PIB de forma negativa (já que os gastos das famílias é justamente um dos pilares que compõem esse indicador). A consequência disso é uma queda no crescimento da economia.

A inflação e os títulos públicos

Uma das formas que o governo encontra para captar recursos (que vão financiar diversas atividades). Por outro lado, isso faz com que a dívida pública seja ainda maior, pois, além de pagar taxas de juros para os investidores, ela precisa ser o suficiente para compensar a inflação. Isso significa que quanto mais alta ela for, maior será o gasto.

Quais índices são usados para medir a inflação?

Os índices da inflação, ilustração

A inflação pode ser monitorada por meio de índices que têm relação com os preços de produtos e serviços. Eles mostram, basicamente, qual é o movimento dos preços, seja de queda ou de alta.

Contudo, você vai perceber que os índices de inflação é diferente para cada um deles. Isso acontece porque eles consideram diferentes critérios na pesquisa, o que inclui região, faixa de renda da população, itens e períodos.

Porém, em vez de provocar certa confusão, essa diferença é benéfica, uma vez que permite ter informação confiável para fazer um comparativo.

IGP-M

O Índice Geral de Preços do Mercado (IGP-M) monitora os preços praticados na construção civil, no atacado e no comércio varejista. Ele é calculado pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) todos os meses e é mais utilizado para corrigir os preços de aluguéis, de contratos e de serviços públicos.

IPCA

Já o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo mostra qual é a alteração do custo de vida da população. Ele é calculado pelo IBGE mensalmente e considera a renda de famílias que ganham até 40 salários mínimos. 

Ele é utilizado pelo governo para avaliar se a meta de inflação está sendo devidamente cumprida e também pelo Banco Central como o índice oficial da inflação no Brasil.

O que afeta o índice da inflação?

Existem várias causas para a inflação e elas podem ocorrer tanto no curto quanto no longo prazo. Entenda melhor cada uma delas nos tópicos a seguir.

Causas do aumento da inflação no curto prazo

Aqui, estamos falando de alterações que ocorrem e causam efeito praticamente de imediato.

Aumento nos custos de produção

Se as empresas percebem que a produção de determinado produto ou a prestação de serviços ficam mais caras, a inflação aparece. Nesse caso, podem surgir duas consequências:

  • A oferta diminui em decorrência da elevação dos custos;
  • Os preços praticados no mercado aumentam a fim de compensar os gastos extras.

Em ambas as situações, o resultado é o consumidor pagando um valor superior pelos itens e serviços no curto prazo.

Aumento na demanda

Se várias pessoas procuram determinado produto ou serviço em um curto espaço de tempo e a oferta não é suficiente para atender todas elas, o fornecimento fica comprometido. É aí que os preços começam a subir e geram a inflação.

Um exemplo prático (e bem simples) de como isso ocorre na prática é a existência da tabela dinâmica nos aplicativos de transporte. Se vários passageiros começam a pedir o Uber ao mesmo tempo (como quando chove ou em horários de pico), você vai notar que os preços ficam mais altos.

Causas do aumento da inflação no longo prazo

Já nesse caso, estamos falando de medidas que impactam o aumento dos preços com o passar do tempo (e, portanto, não são sentidos em um primeiro momento).

Diminuição das taxas de juros

A taxa básica de juros no Brasil é chamada de Selic. Quando o governo, por meio do Banco Central, decide diminuí-la, podemos perceber queda nos juros, empréstimos se tornando mais baratos e aumento no volume de produção e no consumo.

À medida que o tempo passa, a demanda fica maior e aí caímos na questão citada anteriormente: se a oferta não for suficiente para suprir a procura, os preços sobem (e acarretam inflação).

Emissão do papel-moeda

Essa também é uma medida adotada pelo governo que acaba levando ao aumento da inflação. Quando os gastos forem maiores que os valores arrecadados, uma das ações pode ser a impressão de mais dinheiro. Assim, coloca-se mais moeda em circulação para garantir que as contas serão pagas.

Porém, ao mesmo tempo o volume de dinheiro disponível no mercado pode ser maior que a oferta de serviços e produtos no mercado. Mais gente comprando e menos disponibilidade de itens gera aumento dos preços.

Quais são os impactos da inflação nos investimentos?

Impactos da inflação nos investimentos, ilustração

Toda vez que você for fazer algum investimento financeiro, precisa considerar a inflação em sua análise, já que o dinheiro passa a valer menos ao longo do tempo. Se você aplica determinado valor para um objetivo e a rentabilidade é menor que a inflação, você perde poder de compra.

Na prática, vamos supor que você pretende comprar um carro, mas deixa o valor de R$10 mil aplicado até encontrar o veículo que busca, em vez de adquiri-lo logo de uma vez. Tanto o bem quanto o seu investimento vão sofrer um aumento no período de espera.

Supondo que o  seu investimento rendeu 10%, você teve um ganho de R$1 mil, ou seja, no fim do período, ficou com R$11 mil. Se carro passa a valer R$10.500, isso quer dizer que você ganhou R$500, apesar de ter comprado o bem R$500 mais caro.

Por outro lado, se a rentabilidade fosse menor que a valorização do veículo, você teria prejuízo ao deixar o dinheiro investido. Nesse cenário, a inflação foi maior e, portanto, fez com que você perdesse poder de compra.

Rentabilidade nominal

Quando você procura um investimento e a instituição que oferta o papel informa que ele rende 8% ao ano, por exemplo, é preciso ter em mente que esse valor, em geral, é o da rentabilidade nominal.

Isso significa que esse é o ganho bruto, que ainda não sofreu os descontos relacionados às taxas e impostos (como o IR) referentes a eles. Porém, na hora de fazer a conta, é importante que você também calcule a inflação. Depois dos abatimentos, temos a chamada rentabilidade líquida.

Rentabilidade real

Depois que você chega à rentabilidade líquida, precisa abater o percentual referente à inflação. É aí que se consegue encontrar a rentabilidade real, ou seja, quanto você ganha com o investimento de fato.

É de suma importância que essa rentabilidade real seja superior à inflação, pois é isso que garante que o seu poder de compra será preservado ao longo do tempo. Caso isso não seja possível, certifique-se de escolher um título que seja, pelo menos, o suficiente para recuperar a desvalorização (ou seja, igual ao índice da inflação).

Quais são os investimentos atrelados à inflação?

Uma maneira bem eficaz de garantir que os seus investimentos ficarão protegidos da inflação é escolher títulos que estejam atrelados a esse índice. Dessa forma, é importante procurar papéis que vão pagar, ao menos, o equivalente à inflação durante o prazo contratado. 

É só assim que você tem a tranquilidade e a segurança de que, no momento do resgate, o seu dinheiro não terá perdido o poder de compra, independentemente de como a inflação tenha oscilado no período.

A seguir, mostramos alguns investimentos que estão atrelados à inflação para você ficar de olho e proteger o seu patrimônio.

Tesouro IPCA+

Falando em títulos públicos que protegem o dinheiro da inflação, temos o Tesouro IPCA+. O governo oferece papéis que sofrem ajuste de acordo com a taxa de IPCA do momento mais alguma taxa prefixada. 

Isso significa que, além de receber acima da inflação (e não perder o poder de compra), você ainda poderá contar com uma rentabilidade extra no término do período contratado, o que torna esses títulos ótimas opções.

Títulos privados

Você consegue encontrar aplicações em CDBs, LCIs e LCAs que estão atrelados à inflação, ou seja, pagam os juros de acordo com os índices IGP-M ou IPCA. Assim como os títulos do tesouro, são considerados investimentos de baixo risco

Esses papéis, oferecidos pelos bancos, são uma excelente maneira de permanecer na renda fixa, com segurança, e não ter prejuízos com o passar do tempo e as oscilações na inflação.

Fundos imobiliários

Os fundos imobiliários (FIIs) são investimentos em imóveis comerciais que pagam aluguel aos investidores todos os meses. Em geral, são corrigidos pelos índices IGP-M ou IPCA, o que protege o dinheiro aportado.

Ações

Apesar de serem títulos de renda variável e não terem papéis diretamente ligados aos índices da inflação, é possível encontrar ações de empresas que fazem o repasse da inflação para os acionistas.

Geralmente, trata-se de organizações do setor de utilidade pública (como as concessionárias de energia elétrica) e de consumo. Elas conseguem repassar a inflação para os produtos e serviços oferecidos aos consumidores e, consequentemente, têm capacidade de transferir isso para os acionistas.

Como cidadãos comuns, a inflação já nos afeta rotineiramente, à medida que provoca o aumento dos produtos e serviços disponibilizados no mercado e faz com que o nosso dinheiro valha menos ao longo do tempo. Contudo, quando nos tornamos investidores, é necessário acompanhá-la ainda mais de perto, já que pode gerar uma perda ainda maior do nosso patrimônio.

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