A jornada da Warren | Capítulo 10

Os reguladores e a plataforma. Como enfrentamos esses dois desafios ao mesmo tempo

Já adianto que este capítulo é bem longo. Mas, prometo, estamos no final da Jornada, já. 

Mentira. A jornada da Warren está apenas começando! 

Esta trilha de artigos, sim, em que conto o início da nossa história, está quase no final.

Neste texto, conto dois passos muito importantes na estruturação da nossa empresa. 

Como uma instituição financeira, precisávamos estar devidamente regulados pelos órgãos do mercado e, como uma empresa de tecnologia, precisávamos desenvolver e testar o nosso produto.

Começando pelos reguladores

Eu não sou um pirata, contrário ao sistema, que acredita em zero regulamentação. 

Pelo contrário, sou favorável à regulamentação, principalmente quando ela cumpre seu verdadeiro propósito, que é o de proteger os consumidores

Quando o regulador é o criador de panelinhas e privilégios, como acontece em alguns setores, claro que não pode fazer bem.

No mundo do mercado financeiro, os reguladores são muito competentes e muito favoráveis às empresas que querem fazer o certo. 

Eu já sabia disso, mas confesso que me surpreendi com a abertura que tivemos na CVM (Comissão de Valores Mobiliários) para mostrar a proposta da Warren.

Buscando a liberação da CVM

Conseguir a liberação da CVM não era opção, era obrigação, mas não seria tão divertido — na verdade nada divertido — quanto desenvolver a plataforma. 

O processo é longo, entediante e cheio de etapas. 

A primeira opção, então, foi buscar um escritório de advocacia especializado nisso. Porém, quanto mais especializado, mais caro. 

E em uma startup, que conta nos centavos o orçamento, a gente precisava achar um meio termo. 

Acabamos encontrando um escritório que tinha, sim, grande especialização no assunto e, com muita choradeira, conseguimos chegar a um preço que podíamos pagar. 

Isso era janeiro de 2016.

O escritório nos ajudou na formação de diversos manuais, políticas e processos e apontou quais profissionais precisávamos para cada área. 

Uma pessoa de Compliance, outra para Risco, mais uma para Gestão, outra para Análise e por aí vai. 

Áreas bem técnicas, que precisavam de pessoas o mais  rápido possível e que não encontraríamos colocando cartazes nas faculdades. 

Não esqueçam: uma startup… orçamento nos centavos… enfim…

Para deixar o desafio mais desafiador, como citei no capítulo anterior, nosso escritório era minúsculo, em um prédio velho, com mesas que nós mesmos fizemos e com revezamento para trocar o lixo. 

O que faz você convencer alguém a entrar no seu sonho quando você não tem bons salários a pagar ou uma sede suntuosa, com escorregador ou mesa de ping-pong? 

É o projeto que está criando, o propósito do que está construindo

Nós temos, desde sempre, o propósito de ajudar as pessoas a atingir seus objetivos (sonhos) e fazemos isso tornando o mundo de investimentos descomplicado, democratizando o acesso a bons produtos e através de um modelo transparente e alinhado com o cliente

Quem acredita no seu propósito, embarca junto no seu sonho.

Fui garimpando entre os contatos, enchendo o saco de muita gente, recebendo alguns “nãos” e vários bons “sims” e, assim, conseguimos preencher cada vaga que precisávamos. 

Com o time pronto e a papelada criada, enviamos nosso pedido para a CVM. 

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A apresentação que mudou tudo

Algum tempo depois, recebemos o comunicado que diversos pontos precisavam ser revisados antes da concessão do pedido. 

E lá fomos nós nos meter em manuais, processos e sistemas. 

O segundo processo foi, então, enviado e no dia limite para a resposta da CVM… recebemos mais um não

Precisávamos refazer muita coisa. 

Nesta etapa, vimos que o tal escritório de advocacia especializado parecia não estar entendendo o regulador ou não estava mostrando da melhor forma o que queríamos fazer. 

Resolvemos cancelar com eles e seguirmos nós mesmos o processo.

A primeira coisa foi pedir uma conferência para apresentar formalmente o Warren

Conseguimos marcar por Skype e foi a melhor coisa que podia acontecer

Uma apresentação de 15 minutos virou um papo de quase três horas, em que falamos toda a parte técnica da Warren e o que estávamos mudando com relação ao mercado tradicional. 

A partir daí, refizemos todos os manuais e mandamos o pedido formal para a CVM mais uma vez. 

Nisso, já era metade do ano, as Olimpíadas no Rio começariam em duas semanas e os Correios não estavam enviando encomendas com medo de não poderem cumprir com os prazos. 

Fui ao aeroporto levar toda a papelada através da Gollog, a mãe do Rodrigo Grundig (um dos fundadores) receberia no RJ no dia seguinte e levaria em mãos à CVM. 

Lembro como se fosse hoje a moça da Gollog pesando a papelada na balança. Eram 4 quilos de manuais e processos impressos.

Voltei para o escritório, colocamos a contagem regressiva em uma das televisões, acendemos umas velas (exagerei nessa parte) e ficamos esperando pelo melhor. 

E ele veio depois de longos e intermináveis 30 dias. Aleluia! 

Pequena comemoração no escritório, com algumas cervejas e pipoca, e voltamos à labuta, pois começaria, então, o processo de aprovação do segundo regulador, a ANBIMA.

O processo de liberação com os reguladores acontecia em paralelo com a construção da plataforma. 

Para ajudar as pessoas a investirem de forma descomplicada, o único caminho seria entregar uma experiência incrível. 

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A construção da plataforma e a busca por beta testers

Falar de dinheiro é assunto entediante, distante, é quase um tabu para muitos brasileiros. 

Precisávamos tornar a experiência agradável, leve e divertida para conseguir aproximar as pessoas do ato de investir bem o seu dinheiro. 

O objetivo era — e ainda é — entregar uma experiência de investir totalmente diferente do que existia.

Mas construir a melhor experiência dá um trabalho infinito. 

O fluxo era desenhado na parede do escritório, passava para um protótipo, ia para testes com usuários (nós mesmos, família e amigos) e depois desenvolvimento.

Os feedbacks ajudavam, mas nossa visão é viciada e família e amigos, normalmente, não são boas opiniões. 

Precisávamos de betas de verdade. Aqueles testers sem conexão pessoal que diriam, com sinceridade: “entendi nada” ou “isso aqui tá ruim pra cacete”.

Começamos a capturar esses betas de diversas formas. A primeira foi no corpo a corpo, mesmo. Começamos a nos inscrever em todo tipo de workshop, evento, meetup, o que fosse. 

Na ânsia de falarmos com muita gente, chegamos até mesmo a receber um evento voltado à robótica dentro do escritório. 

Foi engraçado, pois, teoricamente, tínhamos que participar de alguma forma, mas eu só conseguia observar e tecer comentários do tipo: “que legal”, “demais”, “sensacional”. 

O ponto é que precisávamos nos conectar com pessoas que pudessem dar boas opiniões e isso já seria também uma forma de começar a divulgar o que estávamos fazendo.

Testes, feedbacks e ajustes

No mundo online, fomos atrás dos betas filtrando por pessoas que comentavam nas redes sociais sobre finanças, tecnologia e comportamento

Cheguei a participar de um evento de influenciadores de moda para entender mais essa turma. Não que eu entenda alguma coisa de moda, bem pelo contrário: minha mãe sempre me criticou por ir à escola vestido com roupas surradas e, depois, essa missão passou para a minha esposa.

Mas o tal evento de moda de influenciadores era o único que encontrei na época, então foi a única opção. Cheguei lá e imediatamente passei a concordar com minha mãe e esposa: a minha mesma calça jeans e camiseta, ambas surradas, me deixavam um peixe fora d’água.

Pelo menos estava com a Yordanna, nossa primeira sócia da Warren e responsável por garimpar os influenciadores, e ela estava mais “enturmada” do que eu. 

O evento foi interessante, pois mostrou que esse grupo é também movido por propósito, por transparência e, quando acreditam em algo, realmente compram a causa.

Saímos de lá e sabíamos que nosso approach com os influenciadores não seria “me ajuda aí a construir uma plataforma bacaninha de investimentos” e sim “queremos mudar a indústria de investimentos ajudando muita gente a conquistar seus sonhos, pode nos ajudar nessa missão?”.

Fomos encontrando e mandando mensagens para as pessoas que tinham mais de 5 mil seguidores e bom nível de engajamento. Mais de 70% delas respondeu e topou ajudar, o que significou pouco mais de 400 pessoas.

Mandamos para eles, então, os acessos aos protótipos. Primeiro 50 pessoas, então recebíamos os feedbacks e ajustávamos. Depois mais 50 pessoas, feedbacks e ajustes. 50 pessoas, feedbacks, ajustes. E fomos de 50 em 50.

Enquanto isso, no offline, estávamos recebendo diariamente no escritório mais beta testers. Foram 75 pessoas presencialmente em um processo que demorava umas 2 horas por pessoa. Ao todo, foram 480 pessoas entre online e offline que nos ajudaram a construir a plataforma

Para uma plataforma online B2C que tem margem baixa e que precisa de muita escala, esse é o único caminho.

Muitos betas, muitos feedbacks e incontáveis horas dedicadas em fazer e refazer. Não tem atalho.

E outra coisa: esse processo não para nunca. 

Agora, em 2021, por exemplo: temos mais de 170 mil clientes, estamos na versão 3.0 da plataforma e os feedbacks continuam constantes e, por consequência, as melhorias também. 

De vez em quando, esse processo é um pouco desesperador, não vou negar para vocês. Mas, ao mesmo tempo, é desafiador, e essa é a graça de empreender, né?

Com a plataforma sendo construída de um lado e do outro lado nossa liberação com os reguladores indo para os finalmentes, estávamos muito perto de lançar e aí começaria a missão: adquirir clientes.

É sobre isso que vou falar no próximo capítulo. Até lá!

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