Mercados emergentes: descubra quais são e como investir

Você sabe o que Taiwan, Arábia Saudita, Rússia, África do Sul e Brasil têm em comum? 

Apesar das evidentes diferenças históricas, geográficas e culturais, todos esses países integram uma categoria chamada pelos economistas de mercados emergentes, em contraste aos mercados desenvolvidos.

Em resumo, os mercados emergentes são nações que passaram por um intenso ciclo de industrialização e abertura econômica nas últimas décadas e ganharam destaque no cenário mundial.

Mesmo fora do ranking dos países ditos desenvolvidos, estas economias conquistam cada vez mais espaço nas cadeias globais de produção e oferecem oportunidades de investimentos distintas dos maiores mercados do mundo.

Mas você sabe quais são as vantagens e desvantagens de investir em empresas atreladas a esses países?

Neste artigo da Warren, vamos explicar tudo o que você precisa saber sobre os principais mercados emergentes e suas opções de investimento. 

Boa leitura!

O que são mercados emergentes?

o que são mercados emergentes, ilustração

Mercados emergentes é o nome dado para classificar países cujas economias estão em rápido crescimento, rumo ao patamar dos países ricos e desenvolvidos.

A expressão “mercado emergente” foi cunhada em 1981 pelo economista Antoine Van Agtmael, um dos diretores da International Finance Corporation (IFC), afiliada ao Banco Mundial.

O termo é muitas vezes utilizado de forma ampla, mas a palavra-chave para compreender o conceito de países emergentes é transição. 

As nações emergentes podem apresentar grandes discrepâncias políticas e econômicas entre si, mas se assemelham por viver um processo de transição entre uma economia fechada de baixa liquidez e um mercado competitivo e bem regulado.

Geralmente, estes países têm um histórico recente de reformas que visam estimular a atividade econômica e a concorrência, ao passo que buscam o equilíbrio fiscal, a estabilidade da moeda e a sustentabilidade da economia.

Os países emergentes são considerados economias de rápido crescimento, particularmente quando suas taxas de crescimento do PIB são comparadas às de economias consolidadas, como EUA, França, Alemanha e Reino Unido.

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Histórico dos mercados emergentes

Durante boa parte do século passado, os países então conhecidos como “Terceiro Mundo” foram vistos com desconfiança por investidores do mercado financeiro.

A percepção global das nações emergentes era de instabilidade econômica e política, alto risco e produtos de baixa qualidade.

Parte desta percepção era atribuída ao alto grau de estatização presente nas economias do Terceiro Mundo até meados dos anos 80, deixando pouco espaço para a iniciativa privada. 

Além disso, ao longo do século XX, grande parte do mundo subdesenvolvido passou por brutais ditaduras militares apoiadas pelos EUA ou União Soviética. 

Com frequência, a expansão econômica era limitada por protecionismo e alinhamento ideológico.

Já no início dos anos 90, após a Guerra Fria, países latinos, africanos e do Sudeste Asiático viviam os primeiros anos de redemocratização e busca por inserção no comércio global.

A década foi marcada por reformas estruturais e privatizações nestas nações, fomentando um ambiente mais aberto à participação privada internacional.

A estabilização das moedas nacionais também favoreceu os mercados emergentes, oferecendo mais segurança aos investidores estrangeiros e evitando a fuga do capital doméstico.

Entre as décadas de 90 e 2000, países da América Latina, Ásia e Europa Oriental adotaram uma série de medidas cruciais para conter a hiperinflação e instituir o câmbio flutuante.

Como exemplo desta “primavera” dos emergentes, podemos analisar os dados de Investimento Estrangeiro Direto (IED, ou FDI na sigla em inglês), que representam a entrada de capital externo no setor privado de um país através do mercado financeiro.

ied, gráfico
Fonte: Banco Mundial

O gráfico acima representa o crescimento do IED em três países emergentes — Brasil, Tailândia e África do Sul — entre os anos de 1981 e 2001. 

O gráfico demonstra a entrada de capital externo em porcentagem do PIB.

Como podemos ver, o Brasil foi um dos grandes beneficiados pela onda de emergentes nos anos 90. 

Ao longo da década, o governo privatizou a Companhia Siderúrgica Nacional e a Vale do Rio Doce, reduziu a participação estatal na Petrobras e implementou o Plano Real.

Em 2000, o investimento estrangeiro no Brasil chegou a quase US$ 33 bilhões e mais de 5% do PIB. 

Vinte anos antes, em 1980, esses valores eram de US$ 1,9 bilhões e 0,8% do PIB.

Quais são os mercados emergentes?

quais são os mercados emergentes, ilustração

Como explicamos acima, a definição de mercado emergente não é exata, e alguns países podem ou não ser considerados emergentes independente do tamanho de sua economia.

Um exemplo é a Coreia do Sul, que hoje figura entre os líderes mundiais em exportação de tecnologia, mas ainda é classificada como emergente em algumas listagens por ser uma democracia recente e em rápida expansão.

Atualmente, a ascensão dos mercados emergentes é liderada pelos BRICS — bloco formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul.

Já Israel, Venezuela, Argentina, Irã e Grécia são exemplos de países ocasionalmente citados como emergentes, mas não há um forte consenso entre especialistas.

países emergentes, mapa
Fonte: BlackRock

Para a lista a seguir, selecionamos os dez países com maior peso no ETF iShares Emerging Markets (EEM), da gestora BlackRock, em fevereiro de 2021. 

Falaremos mais sobre este fundo mais adiante.

1. China

china, ilustração

A China é, indiscutivelmente, a maior economia entre os mercados emergentes e, segundo estimativa do Fundo Monetário Internacional (FMI), pode ter se tornado o maior PIB do planeta após o impacto da pandemia sobre a economia dos Estados Unidos.

Mesmo sendo uma potência econômica e uma das mais antigas civilizações do mundo, a China é considerada emergente porque seu processo de abertura econômica é recente

Somente no final dos anos 1970, o país começou a instituir reformas para deixar de ser uma economia isolada e abrir seu mercado para a participação internacional

Em três décadas, o PIB chinês cresceu a uma impressionante taxa média anual de 10% a.a.

O setor de serviços chinês corresponde a cerca de 50% da atividade econômica do país.

A China possui duas bolsas de valores: a maior, em Xangai, lista as grandes companhias estatais e opera majoritariamente com investimentos de bancos e fundos, enquanto a de Shenzhen negocia empresas menores e recebe mais investidores pessoa física.

2. Taiwan

Taiwan, também chamado de República da China, é uma ilha capitalista localizada ao leste da China Continental (a República Popular da China). 

O país é um dos quatro Tigres Asiáticos, ao lado de Hong Kong, Singapura e Coreia do Sul.

Na segunda metade do século XX, o país foi palco de uma industrialização acelerada que ficou conhecida como “Milagre de Taiwan”

Sustentada pelo governo e por aportes dos EUA, a produção industrial da ilha chegou a saltar 680% entre 1965 e 86.

Ofuscada pela ascensão das manufaturas chinesas, a indústria de Taiwan investiu pesado nas últimas décadas no setor de Tecnologia da Informação, alcançando um lugar de destaque entre as fornecedoras do Vale do Silício.

A Bolsa de Taiwan (Taiex) tem como carros-chefe os fabricantes de semicondutores e outros componentes eletrônicos. A Taiex encerrou 2020 em alta acumulada de 22,8%, sendo uma das principais responsáveis por impulsionar os mercados emergentes.

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3. Coreia do Sul

coreia do sul, ilustração

Assim como Taiwan, a Coreia do Sul é outro Tigre Asiático que viveu uma rápida industrialização focada em eletrônicos e figura entre os líderes mundiais em exportações de tecnologia e automóveis. 

Na Coreia do Sul estão sediadas gigantes como Samsung, LG e Hyundai.

De fato, a economia da Coreia do Sul cresceu tanto nas últimas décadas que algumas gestoras já excluem o país de seus fundos emergentes

Apesar do impacto da disputa comercial de 2019 entre China e EUA, o país é hoje a quarta maior economia da Ásia e seu PIB per capita chega a quase US$ 43 mil, superando potências tradicionais como a Espanha.

Em 2020, a Bolsa de Seul disparou 30,8% entre janeiro e dezembro, o melhor desempenho em mais de dez anos. 

O resultado foi atribuído à gestão eficiente da pandemia da Covid-19 e os fortes estímulos fiscais e monetários do governo.

4. Índia

Enquanto a China ostenta o topo do ranking dos BRICS, o segundo lugar é palco de uma disputa acirrada entre Brasil e Índia

Apesar do tombo de 10% no PIB indiano em 2020, a bolsa de Mumbai saltou mais de 22% nos últimos 12 meses.

Nos últimos anos, a economia da Índia apresentou índices de crescimento próximos aos da China, em meio a reformas para desburocratizar o investimento estrangeiro e estimular startups no setor de inovação.

A atividade econômica indiana é bastante diversificada — o Sensex, principal índice do país, tem forte presença de setores como finanças, tecnologia da informação e óleo e gás.

5. Brasil

brasil, ilustração

Apesar da profunda crise econômica e fiscal agravada pela pandemia, o Brasil ainda figura entre os líderes na lista de mercados emergentes, posição conquistada em grande parte devido ao rápido crescimento nos anos 2000.

No entanto, os sucessivos fracassos do governo em conter a Covid-19 aprofundaram a crise e mergulharam o país na pior recessão da história.

Diante do quadro de instabilidade política e incerteza fiscal, o Brasil perdeu 50% — US$ 34,2 bilhões — em investimentos diretos em 2020, e gigantes como Ford e Sony encerraram suas operações em território nacional.

Por outro lado, o auxílio emergencial e as notícias positivas relacionadas à vacinação contra o coronavírus contribuíram para um leve aquecimento econômico

Assim, a bolsa brasileira anulou as perdas de 2020 e fechou o ano com ganho de 3%.

6. África do Sul

Por muito tempo, a África do Sul ocupou o posto de maior economia africana, até ser ultrapassada pela Nigéria em 2019. 

Ainda assim, o país ainda lidera o continente em indústria e tecnologia, menos de três décadas após o fim do apartheid.

A economia sul-africana é consideravelmente diversificada, com destaque na bolsa de Johannesburgo para os setores de mineração, energia, agricultura, finanças e tecnologia da informação. 

O país lidera a produção mundial de metais como platina, ouro e cromo.

O alto endividamento e a baixa perspectiva de crescimento prejudicam a captação de investidores na África do Sul. 

No entanto, os juros relativamente altos e a previsão de grandes investimentos estatais em infraestrutura são vistos como atraentes.

7. Rússia

russia, ilustração

Anteriormente uma das duas superpotências mundiais, a Rússia sofreu profundas transformações desde o fim da União Soviética, há 30 anos.

A nova federação herdou muitas de suas indústrias desenvolvidas na corrida armamentista da Guerra Fria; a economia do país é fortemente dependente dos setores de petróleo, gás natural, bélico, aeroespacial e de maquinaria pesada.

O mercado financeiro russo é relativamente jovem, tendo sido estabelecido na década de 1990. 

Em 2020, os investimentos diretos caíram ao menor nível em 27 anos, em meio à desvalorização do petróleo e ao forte impacto da pandemia.

Por outro lado, a perspectiva de crescimento do setor científico do país vem aumentando com o impulso da vacina Sputnik V, a primeira a ser registrada no mundo, e com o recente anúncio da alta eficácia do imunizante.

8. Arábia Saudita

A inclusão da Arábia Saudita em fundos de mercados emergentes é recente, resultado de uma série de iniciativas de regulação do governo para abrir a economia ao mercado internacional.

O país consolidou sua inserção no mercado financeiro com o IPO da Saudi Aramco em 2019, que levantou o recorde mundial de US$ 29,4 bilhões na abertura.

Líder mundial em exportação de petróleo, a Arábia Saudita tem a segunda maior reserva do combustível no planeta e vem buscando reduzir sua dependência econômica da commodity.

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9. Tailândia

Apesar do peso relativamente pequeno nos fundos emergentes, a Tailândia vem sendo proclamada por economistas como o mercado emergente mais promissor para 2021.

Dentre uma lista de 17 países, a Bloomberg classificou a Tailândia em primeiro lugar como oportunidade de investimento, destacando as amplas reservas estrangeiras do país e o potencial para receber recursos externos.

Cerca de 60% da economia tailandesa depende de exportações, com foco nos setores de maquinaria pesada, eletrônicos e alimentos. 

O endividamento do governo de 41% é considerado mediano em relação aos outros emergentes de destaque.

10. México

O México é a segunda maior economia latinoamericana, atrás apenas do Brasil. 

É uma economia altamente industrializada e vem atraindo capital externo em meio a reformas e acordos multilaterais de comércio.

Grande parte da indústria mexicana opera no setor automotivo, prosperando tanto pelo número de montadoras como na fabricação de partes de automóveis.

A economia do México é consideravelmente dependente de exportações, tendo os EUA como principal parceiro comercial. 

Esta facilidade de acesso aos mercados americano e canadense também é vista como atrativa para investidores estrangeiros.

Vantagens de investir em mercados emergentes

O benefício mais evidente de investir em países emergentes é o alto potencial de crescimento.

Nos mercados desenvolvidos, particularmente os europeus, a atividade econômica cresce em ritmo mais lento e há relativamente pouco espaço para altíssimos rendimentos. 

Nesses países, a entrada de novas empresas no mercado é dificultada por gigantes já consolidadas, os mecanismos de regulação são estritos e o envelhecimento da população e baixa natalidade impactam o consumo e elevam o endividamento dos governos.

Já os mercados emergentes costumam apresentar taxas de crescimento de PIB e PIB per capita bem mais aceleradas.

A população em expansão, a mão de obra comparativamente mais barata e a renda média em ascensão criam um ambiente fértil para a entrada de novos bens e serviços no mercado, com oportunidades consideráveis de lucro e crescimento.

Outro ponto positivo é a possibilidade de diversificar o portfólio com ações menos conhecidas e, portanto, mais baratas.

Além disso, o câmbio costuma ser um atrativo para investidores estrangeiros a países com moeda menos valorizada, melhorando o custo-benefício para acionistas com moeda forte.

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Desvantagens de investir em mercados emergentes

No universo dos investimentos, via de regra, maiores retornos vêm acompanhados por maiores riscos

Essa lógica se mantém no caso dos mercados emergentes.

Em democracias mais jovens, as instituições e os mecanismos de regulação ainda estão em processo de consolidação.

Dessa forma, o risco de instabilidade política é mais elevado, em meio às disputas de poder entre as diversas camadas da sociedade.

Pelo mesmo motivo, o nível de previsibilidade da economia em países emergentes é sempre menor do que em mercados mais desenvolvidos. 

Para o mercado financeiro, a estabilidade do sistema é condição essencial para formular projeções econômicas.

Vale lembrar que as nações emergentes são frequentemente ex-colônias de países desenvolvidos, herdando um longo histórico de problemas sociais como desigualdade, violência e corrupção que invariavelmente influenciam o campo político.

Também é importante destacar que a liquidez dos mercados em desenvolvimento é menor do que nas grandes potências mundiais. 

Em outras palavras, há menos dinheiro em circulação na economia, apesar das altas chances de crescimento.

Outro fator central é a volatilidade da moeda. 

Por um lado, o câmbio desvalorizado atrai investidores portadores de dólar ou euro; por outro, o risco de ataque especulativo é maior e a rápida desvalorização pode derreter o valor das aplicações.

Como investir em mercados emergentes?

como investir em mercados emergentes, ilustração

Considerando as vantagens e riscos citados acima, é recomendável que os investimentos em economias emergentes sejam majoritariamente planejados a médio e longo prazo.

Existem diversas opções de ETFs (Exchange Traded Funds), que são fundos que rastreiam o desempenho de mercados emergentes. 

Falamos no início sobre o iShares MSCI EEM, ETF norte-americano cujo BDR é negociado na Bolsa pelo código BEEM39

É o principal ETF desse segmento, que acompanha um portfólio de empresas em 17 países considerados emergentes.

Outros ETFs da série iShares que rastreiam mercados em desenvolvimento são:

  • iShares MSCI Asia ex Japan (BAAX39)
  • Core MSCI Emerging Markets (BIEM39)
  • Latin America 40 (BILF39)

Há também a possibilidade de investir em ETFs com foco em países específicos. É o caso do MSCI India (BNDA39), MSCI China (BCHI39) e MSCI Taiwan (BEWT39).

Mas atenção: todos os fundos citados acima são negociados na B3 através de BDRs (Brazilian Depositary Receipts), que são instrumentos financeiros lastreados nos fundos originais. Eles cobram taxas adicionais e não correspondem literalmente a cotas desses fundos.

Finalmente, vale lembrar que investindo em empresas no Brasil já é uma maneira de se posicionar em uma economia emergente, porque o Brasil é visto dessa maneira aos olhos internacionais.

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