Tipos de inflação: descomplicamos quais são e como se proteger

Há diversos tipos de inflação em uma economia, dependendo dos motivos que provocam essa inflação, nome dado ao fenômeno de aumento contínuo dos preços dos produtos e serviços. 

Quer um exemplo? Se o nível de renda da população sobe, o consumo tende a aumentar e gerar inflação de demanda

Por outro lado, dizemos que há inflação da oferta quando a alta de preços é causada por custos de produção mais elevados.

Existem outros tipos de inflação além destes, e cada um pode ser originado por diversos fatores. Além disso, há diferentes métodos para calcular a inflação sob vários aspectos.

Para descomplicar esse assunto, vamos apresentar, neste artigo, os principais tipos de inflação que você precisa conhecer, se quiser se aprofundar no tema. 

Mais do que isso: você também vai entender como se proteger desse fenômeno, que vem voltando com força no Brasil nos últimos meses: o IPCA, índice que mede a inflação oficial do país, ultrapassou a casa dos 10% nos últimos 12 meses.

Vamos juntos descomplicar os tipos de inflação? Boa leitura!

O que é inflação?

inflação e seus principais tipos, ilustração

Em primeiro lugar, é preciso deixar claro que inflação e índice de inflação são conceitos distintos, mesmo que sejam usados como sinônimos no dia a dia.

A inflação corresponde ao aumento do preço de qualquer bem ou serviço observado durante um certo período. Existe a inflação do tomate, dos automóveis, da educação, etc.

A consequência inevitável da inflação é a desvalorização da moeda, isto é, a redução do poder de compra do dinheiro. 

Na prática, se hoje você pode comprar x produtos com R$ 100, esta quantia não será mais suficiente para adquirir os mesmos x produtos no mês que vem, devido à inflação.

Já os índices de inflação, como o IPCA, correspondem ao aumento médio dos preços da economia a partir da variação individual dos preços de uma cesta de bens e serviços.

Daí, podemos tirar duas conclusões importantes: 

  • Um índice de inflação não representa um aumento igual de todos os preços. Se a variação mensal do IPCA for de 2%, isto não significa que todos os bens e serviços ficaram 2% mais caros.
  • A inflação sempre indica a elevação dos preços. Se o IPCA cai de 5% para 3%, isso quer dizer que os preços continuam crescendo em ritmo mais lento, e não que eles estão diminuindo.

Falaremos mais sobre os diferentes índices de inflação num tópico mais adiante.

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Quais são os principais tipos de inflação?

Quais são os principais tipos de inflação, ilustração

Agora que você entendeu o que é a inflação, podemos aprofundar para conhecer os principais tipos de inflação.

Acompanhe!

Inflação de demanda

As leis de demanda e de oferta são as forças básicas da economia: se a procura por um bem ou serviço cresce mais rápido que a sua quantidade disponível, o preço tende a subir.

Quando um comerciante percebe que o interesse pelos seus produtos está aumentando, ele eleva o preço para tentar vender aos consumidores dispostos a pagar mais.

E é justamente para isso que servem os preços: eles podem ser vistos como um mecanismo que mede o seu interesse e a sua necessidade por determinado produto.

Além de beneficiar o comerciante, esse aumento de preços pode beneficiar justamente quem mais precisa — e está disposto a pagar mais caro. 

Isso porque, se houvesse um tabelamento de preços, os produtos poderiam ser adquiridos em grandes quantidades por quem não precisa deles tanto assim. 

E quem estaria disposto a pagar mais, porque realmente precisa, acabaria ficando sem.

Consequentemente, falamos em inflação de demanda quando a procura por diversos produtos e serviços sobe muito em pouco tempo, “empurrando” a inflação média da economia para cima.

Este tipo de inflação é comum em períodos de expansão econômica e não necessariamente é um mau sinal — a alta do consumo pode indicar um maior nível de renda da população.

Inflação de oferta

A inflação de oferta também é chamada de inflação de custos ou inflação de insumos

Este processo inflacionário ocorre quando a produção de um bem ou o fornecimento de um serviço encarece.

Assim, para compensar o encarecimento da produção, as empresas repassam os preços mais altos ao longo da cadeia, até chegar ao consumidor final.

Um exemplo frequente de inflação da oferta é a alta do petróleo, já que a commodity é matéria-prima para inúmeras indústrias e também influencia o preço dos transportes.

A energia elétrica é outra causa comum da inflação de custos, principalmente quando países muito dependentes de hidrelétricas (como o Brasil) passam por períodos de seca.

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Inflação estrutural

Como o nome pressupõe, a inflação estrutural está relacionada a falhas estruturais do setor produtivo da economia, o que resulta na escassez e encarecimento de determinados bens.

Por exemplo: se um país não possui uma indústria siderúrgica desenvolvida o bastante para suprir a demanda interna de aço, o insumo se tornará muito caro ou precisará ser importado em grandes quantidades.

A inflação estrutural também pode ser resultado de uma infraestrutura ineficiente para escoar a produção, o que eleva o custo de transporte e o preço final dos bens.

Podemos pensar na inflação estrutural como um estágio crítico da inflação de oferta: mais do que uma alta temporária, o encarecimento dos bens persiste por falta de capacidade produtiva em geral.

Estagflação

Talvez você já tenha ouvido falar na curva de Phillips. Esta teoria afirma que a inflação e o desemprego são inversamente proporcionais: quando um sobe, o outro tende a cair.

Porém, em casos de grave recessão econômica, um país pode sofrer com altas taxas de desemprego enquanto os preços continuam a subir rapidamente. 

Este quadro de extrema gravidade é chamado estagflação (“estagnação” + “inflação”) e gera consequências graves para a qualidade de vida e o desenvolvimento econômico.

Inflação inercial

A inflação inercial, ou memória inflacionária, está relacionada a um fenômeno conhecido como desancoragem das expectativas de inflação.

Isso ocorre quando o país vive um período tão longo de inflação acelerada que os agentes econômicos não conseguem mais prever o comportamento dos preços no curto prazo.

Nesta situação de incerteza econômica, os comerciantes e fornecedores pressupõem que a inflação continuará subindo e elevam cada vez mais os preços para evitar o prejuízo.

Em outras palavras, surge uma “inércia” inflacionária: quanto mais os preços sobem, mais eles tendem a subir enquanto não há uma perspectiva confiável de melhora da economia.

Principais causas da inflação

Principais causas da inflação, ilustração

Agora que passamos pelos principais tipos de inflação, podemos nos debruçar sobre as principais causas da inflação, para aprofundar ainda mais a compreensão sobre esse fenômeno.

Aumento de renda da população

Como vimos, a alta do consumo gera inflação de demanda. Mas o que gera a alta do consumo? Ou, mais especificamente: de onde vem o dinheiro que as pessoas gastam?

Uma possibilidade é que o país esteja em fase de expansão monetária. Quando o governo corta a taxa básica de juros, a Selic, os bancos tendem a oferecer empréstimos mais acessíveis às famílias e elas podem consumir mais.

Os juros baixos também facilitam que as empresas façam financiamentos para elevar a produção e suprir a maior demanda, o que resulta em mais ofertas de emprego. 

Se você leu com atenção até aqui, já percebeu que esta é a lógica por trás da curva de Phillips.

A inflação de demanda também pode ser consequência de programas do governo para transferência de renda, como é o caso do Bolsa Família.

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Eventos naturais

Desastres naturais e mudanças climáticas podem ser responsáveis pela inflação da oferta quando afetam a produção, principalmente, das indústrias de insumos básicos.

Já citamos o encarecimento da energia em períodos de seca. O cenário oposto também pode ser prejudicial: chuvas e tempestades podem inundar minas, destruir estradas ou prejudicar a circulação de navios e aviões de carga.

Outro caso não tão incomum são as geadas, que podem prejudicar plantações e levar à alta de produtos agrícolas. O mesmo ocorre quando há pragas agrícolas, como gafanhotos.

Obviamente, não poderíamos deixar de citar a pandemia da Covid-19. Além de turbinar a demanda por equipamentos médicos e serviços digitais, este evento atípico desestabilizou as cadeias globais de produção com impactos severos na oferta de diversos insumos.

Instabilidade política

Crises políticas estão entre as principais causas de inflação, podendo até mesmo levar a cenários graves de inflação inercial e estagflação nas economias em desenvolvimento.

De modo geral, países emergentes têm forte dependência de exportações e investimentos estrangeiros. 

Se os conflitos internos ameaçam a estabilidade econômica e os lucros, estes agentes começam a migrar seus recursos para nações com melhor ambiente de negócios.

Conforme a turbulência cresce, a instabilidade pode levar ao fechamento de fábricas e demissões em massa, elevando simultaneamente o desemprego e a inflação de oferta.

Este fenômeno também pode ser de natureza geopolítica. Crises diplomáticas, sanções e guerras são fatores que prejudicam o comércio internacional e podem gerar inflação, em especial quando envolvem países produtores de petróleo ou metais industriais.

Vale lembrar que estes fatores influenciam o câmbio e também podem gerar inflação.

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Gastos públicos

Assim como o setor privado, o governo é um investidor. O poder público financia obras, implementa programas sociais e oferece subsídios à atividade econômica, por exemplo.

Estas medidas aquecem a economia e geram inflação de demanda. Os bancos centrais atuam para regular a emissão de dinheiro e manter esta inflação sob controle.

Entretanto, se a dívida pública cresce de forma desproporcional e o governo gasta muito mais do que arrecada, é praticamente certo que há um quadro de inflação no horizonte.

O motivo é que o governo tem, basicamente, duas alternativas para equilibrar as contas públicas: aumentar a arrecadação fiscal ou a emissão de moeda.

O primeiro caso envolve aumentar a carga tributária sobre as empresas, que repassam o valor dos impostos para o consumidor e acabam gerando inflação de produção.

A segunda opção — imprimir dinheiro para quitar as dívidas — pode parecer uma boa saída. Porém, aumentar a quantidade de moeda em circulação sem um ganho proporcional da oferta de bens e serviços acaba por gerar inflação de demanda.

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Índices de inflação no Brasil

Existem muitos índices usados para medir a inflação no Brasil, mas três deles são os principais:

  • Índice de Produtos ao Consumidor Amplo (IPCA): considerado a inflação oficial do Brasil, o IPCA é calculado mensalmente pelo IBGE a partir de uma cesta de bens e serviços, que varia entre 300 e 400 itens. A metodologia do IPCA considera as famílias com renda entre 1 e 40 salários mínimos e os preços nas principais zonas urbanas do país.
  • Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC): também é calculado todo mês pelo IBGE. Em relação ao IPCA, a única diferença é a abrangência de renda: o INPC engloba apenas famílias com renda de 1 a 5 salários mínimos, mais sensíveis à inflação, já que precisam usar boa parte da renda para consumir.
  • Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M): este índice é calculado pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) e, ao contrário dos anteriores, não restringe a metodologia por renda. Outro diferencial do IGP-M é considerar também os preços do setor produtivo e de construção, além dos consumidores. Além disso, é o principal indexador para reajustes de aluguel e outros serviços, como planos de saúde.

Um detalhe importante é que estes índices podem ser expressados de acordo com diferentes períodos, para facilitar outras formas de comparação da inflação.

Quando os jornais dizem que o IPCA atingiu 6%, geralmente, eles se referem ao índice acumulado em 12 meses. 

Também é possível comparar o IPCA por mês, trimestre ou acumulado desde o início do ano.

Além disso, os índices incluem “ajustes sazonais” para evitar distorções causadas pelo consumo em datas específicas (como a alta dos preços de chocolates na Páscoa ou de material escolar na época da volta às aulas).

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Como se proteger da inflação?

Como se proteger da inflação, ilustração

Neste ponto do artigo, você certamente já entendeu que a inflação é uma ameaça aos retornos dos seus investimentos.

Para ser um investidor de sucesso no mercado, é importante considerar não só o lucro nominal de uma aplicação, mas também o lucro real (descontado pela inflação).

Em termos simples: se o seu investimento rendeu um lucro nominal de 15% em 12 meses, mas a inflação acumulada no período foi de 10%, você obteve um lucro real de 5%.

Pela mesma lógica, se o retorno do seu investimento foi de 10% e a inflação atingiu 15%, na prática, o valor que você aplicou perdeu 5% do poder de compra em geral, e você observou um juro real negativo.

Por isso, é fundamental analisar se um ativo rende ganhos acima da inflação antes de investir em algo que pode acabar gerando prejuízo.

Além disso, é preciso saber claramente o seu perfil de risco para escolher os investimentos adequados. 

Se o seu perfil é mais conservador, não vale a pena apostar em um ativo altamente volátil que oferece lucros estratosféricos sob o risco de perder boa parte do patrimônio, certo?

Por fim, mas não menos importante, um bom investidor sabe a importância de diversificar o seu portfólio para ampliar as chances de lucro e reduzir os riscos de prejuízo. 

É por isso que, ao abrir uma conta na Warren e criar uma carteira de investimentos, a plataforma sugere uma alocação diversificada, que respeite o seu perfil de investidor e as suas necessidades de liquidez, além dos prazos definidos.

É a experiência mais simples e descomplicada para quem deseja realizar objetivos no curto, médio e longo prazo — protegendo o dinheiro contra a inflação.

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